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20110222

Mudar o roteiro

Depois vem uma espécie de estupor, o mesmo de sempre, e um turbilhão abstrato dentro da cabeça, começam a surgir aos borbotões idéias e imagens, que fluem e ficam vagando na minha mente. Os pensamentos se desestruturam e lutam para encontrar algum chão.
         É um amor esquizofrênico, se debatendo para ser substituído por adrenalina, aventura apaixonada e efêmera, e insistindo em se escrever. Parece que o guardei demais e ele quer se soltar de mim, mas já não tenho certeza se não sou eu quem está presa, perdida dentro uma loucura com sentimentos obscuros, secretamente situados entre a sombra e a minha mente.
         Chega, isso teve um começo e mesmo assim parece impossível vislumbrar um fim. É um romance que vive dentro de mim, numa guerra de armas químicas, espadas e poemas. E só acabará quando todas essas personagens morrerem comigo.
         Não, não queria desse jeito, não mais. Às vezes, é preciso uma revisão, editar, reescrever, essas coisas... Mudar alguns aspectos e ter um outro ponto de vista. É isso que tinha começado a fazer.
         Vim cometendo um assassinato em série, como se fosse um psicopata plenamente confiante de seus motivos, matando todos os que estavam dando problemas. Buscando um outro quebra-cabeça, talvez. Mas sobrou uma: eu. E estou tentando me situar numa nova história. Só que dessa vez sendo eu mesma. Precisava inventar um novo eu para (me) interpretar...

20110205

Abalos internos, de 1 a 3 na escala Richter

Manhã de segunda insípida, fétida e pálida.

Desprovida de alma.

Com olheiras profundas e irremediáveis.

E não há para onde fugir.

Não de medo, mas de algo que ainda não tem nome.

Tornei-me alguém que se diz eu, mas não sou eu.

Vou me procurar.

Devo ter me escondido em algum lugar...

Aqui dentro mesmo.

Pare de querer contrair o tempo!

Isso só faz expandir ainda mais essa agonia,

Tal que não tem começo definido

E não se sabe aonde pode me levar.

Se me descuido um instante, vem essa espécie de abalo sísmico
Tirar-me meu frágil equilíbrio fingido, súbita e sorrateiramente.
Com uma dor asfixiante e narcótica.

Há certo desespero que estou tentando esconder dos outros.
Nem eu suportaria vê-lo por muito tempo.
Mas, mesmo que eu feche os olhos,
Ele continua lá,
Gritando sob meu silêncio.

20110130

agosto de 2010, o impacto do 19

19 anos já! Isso mesmo?! A um passo dos 20 e os 25 estão logo ali, na virada da esquina. E esse mistério, essa incerteza absoluta quanto ao que encontrarei no outro lado, se é que chegarei lá, me aterroriza um pouco.

Sim, numericamente se passaram 19 anos, 228 meses, mais de 990 semanas, e uma conta imensurável de dias somados e subtraídos, da minha vida. 18 invernos e uma primavera se passaram. Tendo hibernado grande parte de minha infância, a perdi e não gostei muito de como a encontrei nos escombros da minha memória. Está destruída, deformaram-na e em vão tento restaurar os fragmentos que restaram e tirar-lhe as incrustações.

Para os outros, tudo passa rápido, enquanto se olha para trás. Já para mim, os anos e o tempo passam dolorosamente inconsistentes. Fugazes, mas também inertes. A vida escorre viscosa e turva pelas minhas mãos.

Sou teoricamente jovem, mas há muito me sinto velha. Como quem nunca viveu e já não tem mais tanto tempo para isso. A juventude que vêem em mim é superficial e frágil. Minha jovialidade, me é difícil retê-la quando a uso de forma a encobrir minhas tristezas e dúvidas perante os outros, tão volátil ela é.

Queima fácil qualquer faísca que me venham a atiçar. Daí inflama e incendeia tudo. Depois, dos momentos e das pessoas, só vejo diante de mim suas cinzas e fumaça, que embaralha minha visão. E eu, fico como que em carne viva, tamanha minha dor, estuporada. Assim, qualquer coisa que eu tente tocar ou qualquer um que venha encostar-se a mim, me machuca. Umas feridas que nunca se fecham nem eu consigo tratá-las.

Sou um pouco de plasma, íons superaquecidos em sinapses descontroladas nas áreas emotivas do meu cérebro. E sou feita de imagens, reflexos e lembranças que são guardadas por cada pessoa que me conheça à sua própria maneira e conseqüência.

Dentro de mim só há o vazio contido numa caixinha feita de pesadelos lúcidos, na maioria, um pouco de tristeza, indignação, uma nostalgia irreal e o vento circulando louco. Ou será que sou eu que estou presa dentro dela, encerrada sob solidão, más lembranças, decepções e frustrações não sublimadas? Atormentada por uma saudade de felicidade e amor pueris que já não tenho certeza se em algum momento existiram. De qualquer maneira, não consigo abri-la, para jogar fora esses ressentimentos irracionais ou me libertar.

Eu tinha inventado, sem perceber, um amor para me distrair. Encontrei-o no oceano de um olhar no qual eu mergulhei e em cuja imensidão eu me perdi. E nas profundezas de seus mistérios era engolida e consumida a cada dia mais. Quase me afoguei.

Sentia as paredes dessa caixinha serem serradas. Não sei se por mim ou outras pessoas. Só sei que dói: é meu coração. Nós na garganta me impedem de falar, me trancam a respiração nessas horas.

Sonho em abrir os olhos e poder enxergar o céu claro, azul límpido, ou melhor ainda, colorido como uma aurora e com arco-íris... Todos os dias, pelo menos dentro de mim. Quero um horizonte à minha frente para ultrapassar, por mim mesma e poder voar pousando onde quiser. Não sirvo pra ser peixe!

20110123

Insônia primaveril

Chuva de primavera,
Noite insone.
Frio e calor disputando meu corpo.
A inquietude do vazio me rondando...
Um delírio colorido,
Como se fosse florido.
Ou não.

20100925

Puzzle interno

Não ouço direito, dispenso de antemão o que não quero ouvir, a mentira me cansa.
Não aprendi a falar, o silêncio me escuta e cala.



Só sei ler e escrever.
Meus olhos me sussurram o que quero, uma realidade reinventada.
Meus dedos gritam o que é preciso calar, sentimentos que tentam mentir verdades.
Minha mente se distrai brincando de puzzle, para não olhar a memória profanada e despedaçada.
Tem medo do que vai restar.

Sem sair do chão

     Aquela cena, que se repetia, a cada vez mais dramática, a irritava. Naquela noite pareceu que não suportaria mais nenhuma outra. E desolada, já estava chorando as tão previsíveis, e até ensaiadas, lágrimas, quando, então, parou e, sem perceber, improvisou.

     Por instantes sacudiu furiosamente seus braços para cima e para baixo atrás de si. Logo, logo acabou encontrando uma moral para seu ato. Eram a ansiedade e o desespero por dar movimento ao seu mais puro desejo, que até aí lutava para sair da sua falsa subconsciência: O de bater as asas escondidas e alçar vôos, ter sua liberdade.

     Uma mímica tão simples e clara, como um céu azul, mas que só ela podia ver e interpretar. Não havia ninguém presente para adivinhá-la. E, mesmo que tivesse isso não seria possível.

     Resignou-se, e não querendo mais que alguma tristeza escorresse pelo seu rosto, voltou-se para o chuveiro, para o banho insone interrompido. Para que este vertesse sobre si alguns derradeiros minutos de calma e prazerosa solidão. Mas desceram somente relutantes e árduas gotas que em nada poderiam consolar. Pois ele também se magoava e ficava entediado com aquilo. Também o chuveiro havia pensado em chorar. Pelo menos não estava sozinha no seu sofrimento, as coisas tinham empatia por ela.

Ficou, enfim, com o dilema de seu pássaro interior...

     Como voar com suas asas cortadas, ou que talvez nunca existissem, tendo suprimentos ao alcance somente em sua gaiola, que a prende no nada? E o que mantinha seu instinto e sua resistência a existir simplesmente naquelas circunstâncias?

    Ah, sim, são frestas que a fazem enxergar um pouco do mundo lá fora. E deixam escancarado um abundante ar livre para inflar-lhe a alma. Ao se lembrar das possibilidades que iam se inventando ao longo de seus dias, acaba tentando submeter-se a uma paciência e esperança, desconhecidas, para a regeneração de si mesma.

     Sente uma necessidade louca de fugir, para bem longe, onde nem o céu seja limite. Ir além. E para sobreviver, precisa desenhar um horizonte, enxergar uma linha para ultrapassar e saber que depois dessa, outra pode surgir, sempre. Quer entregar-se ao vento que lhe ronda louco, o que faz viver valer a pena, mas deve olhar por onde ele a leva, para todos os lados, principalmente para frente.

     E assim ela alçaria seu voo imaginário. Não tão livre assim, afinal liberdade não tem começo, nem fim, nem horizonte... Apenas se busca ou inventa. Voaria, então, sem sair do chão.

pseudo: J. Prèvert

20100731

quimicamente feliz


Vida bizarra, mas linda! Apaixonante, e caótica, por vezes estressante, mas perfeita em seu mecanismo químico no meu ser.
Sou feita de um turbilhão mágico de reações neurobiológicas!

Às vezes, quase transbordo de epinefrinas, cortisol, feniletilamina, dopamina, oxitocina, endorfinas, hormônios... mas, sabe, por mais que algumas circunstâncias pareçam insuportáveis ou inadmissíveis, eu vivo tudo com o maior prazer!

 

       Aquele prazer de alguém que ri consigo de uma graça que está onde nenhum outro enxerga...
      

20100401


- Tem um tesouro na casa ao lado.
- Mas não tem uma casa ali.
- Então construiremos uma.
Era isso que ela tinha a dizer para seu amado. Faltou ele chegar perto para ouvi-la.

20100320

Outubro


E lá vem ele.

Agora o fantasma poderá ser lúcido e nítido outra vez.

Pois que então venha logo me assombrar, daquele jeito que faz meus olhos brilharem, meu corpo tremer e meu coração disparar.
Quero desta vez mergulhar para o outro lado do seu olhar fugidio.

20100314

09/07/08


Dia sombrio, e frio. Em minha companhia tinha apenas o vento, conversando com o meu pensamento. O qual estava invejando os pássaros negros voando no céu. A chuva se confundia com as finas lágrimas que rolavam impertinentes pelo rosto. Assim, talvez, ninguém perceberia. E eis que tive vontade de pedir a ele que carregasse o meu segredo consigo para sussurrar no ouvido do meu amado o que eu não ousava dizer por mim mesma. Tendo deixado isso ao seu encargo, voltei para a realidade, para pessoas que tinham muito a me dizer pessoalmente: meus mestres.
Depois estava eu perdida no vazio da minha alma, tentando preenchê-la com o mistério das árvores dançarinas lá fora... hesito em continuar nisso e olho para o lado. Me deparei com meu fantasma, na janela do outro prédio, me espiando por entre as persianas. Não reconheci de imediato, mas logo ficou claro: não era minha alma que estava vazia, eu é que estava. Afinal, ela apenas tinha fugido para o outro lado um pouco.
A essa altura já estavam me faltando linhas. Mas, no fundo, eu precisava mesmo era de linhas infinitas.

Quase recíproco


'Você toca meu coração, minha alma... kero dividir com vc meus sonhos, medos, e realizações...Quero te ver sorrir, cantar, rir, sonhar... Segurar seu braço com o meu, roçar meu ombro com o seu...'
'Sou um sonhador, e kuando estiver acordado, quero voce do meu lado, pra minimizar a dor de não ter o mundo com que sonho. o Mesmo quero que vc faça..'
Onde q foi parar tudo isso....?
Essa era uma pergunta minha. A resposta deveria estar contigo, mas já a encontrei. Isso tudo não foi a lugar algum. Ainda não saiu de dentro de ti, tu ainda não acordastes (ou seria eu que não acordei?). Um de nós dois não enxergou o outro quando acordou, ou então nunca acordamos. Continuamos a sonhar e agora o sonho virou um pesadelo lúcido.
(e pensar que me sentia exatamente assim, como essas frases que me escrevestes...)
Sabe, me arrependo das vezes em que me meti a ser dura, tanto comigo mesma quanto contigo. De ter me afastado, me calado. Na sexta-feira, quando tu pegou minha mão foi um alívio tão grande que não acreditei, era aquilo que eu tanto esperava (um gesto, nada de palavras) e não tive coragem de abrir os meus olhos procurando os teus com medo de não te encontrar lá.
Eu vejo essas fotos e mergulho num oceano de calma, de dúvidas, de um doce pranto... Quem são aqueles dois?
Nós podemos conhecê-los com calma. Vamos devagar. Venha sem medo. Eu quero seguir em frente, sem olhar para trás.
E tudo isso passou, acabou. Se afogou no silêncio de um e de outro.

20100310

Simplesmente infernal


Pelo caminho lhe surgem homens angelicais que, por vezes, a levam a um inferno. E teve uns que conseguiram até mesmo fazê-la viver ao avesso e passar, insatisfeita, por cima de seu orgulho. Logo ela, que achava ser sensata, com um mínimo de juízo. Ainda não sabe direito o que lhe fizeram quando tudo estava errado, o que torna tudo ainda mais incompreensível.

No entanto, teve por um brevíssimo tempo, e ainda poderia ter de volta, alguém superficialmente diabólico(para seu disfarce)... Apenas esse poderia levá-la aos céus que os outros prometem, bastando apenas embarcar através de seus olhos cinzentos, como na última vez. Mas este escondeu tanto mais suas asas que as perdeu, pelo que parece. O que os limita a permanecer em terra firme, ou mesmo perto de algum inferno.
E assim ela fica, nem nas trevas nem no paraíso, mas num buraco negro... distraindo-se eternamente do seu excessivo lado zeloso com perversões que a enfastiam tanto quanto seus desejos mais ingênuos.