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20120329

Conte-me seus sonhos


Em Cupertino, cidade situada no que ainda hoje chamamos de Vale do Silício, três belas mulheres são suspeitas de terem cometido terríveis assassinatos:  Ashley Patterson, Allete Peters e Toni Prescotti . Trabalham na mesma empresa de informática.  Vieram de diferentes lugares, São Francisco, Londres, Roma... Homens foram encontrados mortos no vale e em Quebéc, no Canadá, de forma bruta e com mesmo modus operandi, logo após terem estado com elas. Com exames de DNA e provas das impressões digitais compatíveis, Ashley é imediatamente presa.  Mas como explicar o fato de que ela sequer tinha consciência dos crimes que aconteceram nem estava presente no momento em que ocorreram? Aí que a coisa fica séria. Ela é inocente.
Ashley é filha de um famoso cirurgião, Dr Steven Patterson, que contrata David como advogado, em troca de uma promessa feita no passado.  Apesar da dificuldade em provar a inocência de sua cliente, David descobre que ela possui um distúrbio psicológico. Com isso, ele recorre aos argumentos clínicos de renomados psiquiatras num dos julgamentos mais conturbados do país.
Escrito em  1998, Tell me your dreams  é o 16º romance do autor Sidney Sheldon. O tema inusitado torna a trama bastante interessante e nos fala de algo real, mas que não é palpável, os distúrbios psiquiátricos. Até que ponto uma pessoa é responsável pelos seus próprios atos? O que justifica um ato de agressão e em quais circunstâncias pode ser válido é uma questão presente ao longo de todo o enredo. Apesar de ser um ótimo escritor de ficção policial, com sua habilidade em cativar os leitores, nesse livro Sidney deixou bastante a desejar.  Muitos concordarão, decerto, que a justiça nesse caso foi falha. Tentando fugir de mais spoilers, não digo mais nada a respeito. Os finais não foram feitos para serem sempre felizes ou mesmo justos. Mas se a leitura é boa, a gente perdoa, não é mesmo?

20120131

Jogando por Pizza, de John Grisham

          Um dos autores norte-americanos mais lidos lá nos EUA cujos livros costumam tratar de questões judiciárias como tema principal, não tem quem não tenha ao menos ouvido falar dele... Pois é, mas temos aqui uma mudança de foco: eis que entre as obras do charmoso John Grisham, há uma adorável, na qual entramos no mundo do futebol americano, só que na Itália! Então, isso chega a ser uma surpresa gratificante.


          O decadente quaterback na NFL americana, Rick Dockery, recebe de seu empresário a proposta de jogar uma temporada com os Panthers, de Parma, no norte da Itália. Ele já não tinha mais nada a perder mesmo e estava sendo perseguido, foi. 
          Chegando lá conhece um time simples, mas poderoso e obcecado pelo futebol. E o que move os jogadores italianos? Paixão e comida, claro. Jogam pela pizza e cerveja oferecidas depois da partida. Parma é a cidade de onde vem o Parmigiano-Reggiano, aquele querido ao qual chamamos de queijo parmesão e que vai bem com tudo que é massa. O primeiro contato de Rick com a boa comida se dá na trattoria, restaurante de famíla, do center Nino e de seu irmão Carlos, o cozinheiro, onde foi fisgado já no antipasto (o que chamaríamos de aperitivo), com prosciutto, pães, queijo parmigiano e a fabulosa combinação de vinhos para cada prato. A intensidade do vinho segue o "peso" da comida. Depois do jantar, a torta nera como sobremesa, e por fim, como de praxe, um cafezinho. 
          Os bares de lá são cafeterias, onde é comum sentar na mesa da rua, lendo jornal e tomando um bom cappuccino. Além disso, os alimentos são comprados frescos todos os dias, nas quitandas. Com o charme da Itália, seus bons vinhos e sua culinária impecável, não há como Rick resistir a ficar. Aliás, quem resistiria?
          Jogando por Pizza é um livro que a gente lê com água na boca até o fim e sempre com uma ansiedade em saber qual será o próximo prato, com a garantia ainda de umas boas risadas. Certamente, deve ser devorado e, o melhor de tudo, não dá indigestão.